Comunicação que chega onde o algoritmo não vai
- Angola Comunicação

- 18 de mai.
- 2 min de leitura
por Catarina de Angola*
Semana passada escrevi aqui sobre como o presencial está sendo visto como respiro e sobre a vontade de desconectar que tem aparecido cada vez mais nas conversas. E fiquei pensando que esse mesmo movimento, quando a gente traz pro nosso campo de trabalho, tem outra dimensão. Que é sobre reconhecer que a comunicação ganha força quando não está apenas no digital.
Nas últimas semanas, a partir do nosso trabalho aqui na Angola Comunicação, tive contato direto com estratégias de comunicação construídas por organizações com presença forte nos seus territórios e o que mais me chamou atenção não foi o digital, foi tudo que vi que está acontecendo fora dele.
Spots de rádio veiculados em emissoras com audiência consolidada nos territórios, cartilhas impressas, milhares de panfletos distribuídos em uma única ação, lambes nas paredes, bandeiras em marchas, camisetas, teatro encenado a cada nova edição de uma mobilização. E imprensa nacional e digital, mas como uma frente entre outras, não como a frente principal.

Cada uma dessas linguagens cumpre uma função diferente. O rádio chega na casa das pessoas, a cartilha fortalece o discurso de lideranças locais, o teatro mobiliza emocionalmente quem está envolvida na pauta, o panfleto vai parar na mão de quem talvez nunca abriu um Instagram, a ação com imprensa disputa narrativa. É o conjunto das ações que produz incidência política. Tudo isso aliado a uma boa estratégia de distribuição do conteúdo, porque hoje as redes sociais também são um limite, por conta das políticas das big techs que conhecemos pouco e dos algoritmos que decidem quem vê o quê.
E aqui é onde eu queria parar pra pensar com você: a comunicação que sua organização faz hoje está em quantos lugares? Está chegando em quem precisa estar alcançada, do jeito que precisa chegar, no espaço onde aquela pessoa está? Ou está concentrada no digital, esperando que o algoritmo faça o trabalho que deveria ser de uma estratégia inteira?
Não é sobre abandonar o digital, é sobre entender que o digital sozinho não dá conta de mobilizar território, não dá conta de chegar em quem não está online, não dá conta de disputar narrativa em todos os níveis ao mesmo tempo. Planejar comunicação é desenhar diferentes frentes e o offline precisa estar nesse desenho desde o início.
Aqui na Angola Comunicação, é exatamente esse trabalho que a gente faz com as organizações parceiras: ajudar a pensar quais canais fazem sentido pra cada pauta, qual mistura entre digital e presencial sustenta a estratégia, onde o investimento rende mais. Comunicação estratégica não é escolher um canal, é planejar o todo.
E você, como tem pensado as ações de comunicação por aí?
*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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