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Exausta das redes sociais? Você não está sozinha

Por Catarina de Angola | Diretora Executiva da Angola Comunicação


Faz um tempo que eu venho refletindo sobre uma exaustão que tenho sentido no uso das redes sociais digitais. Com certeza isso também tem relação direta com a minha dinâmica de vida, porque eu trabalho com a Internet, trabalho com comunicação. Mas também tem uma relação direta com os últimos anos e com a chamada economia da atenção, que tem desafiado nossa autonomia no uso das redes. E o contexto de pandemia só aprofundou isso.


Eu tive minha filha, Tereza de Angola, há três anos e meio, em maio de 2020, quando eu ainda achava que era o auge da Covid. Passei muitos e muitos meses isolada em casa, ainda grávida, agradecendo por ter moradia segura, e depois recém-parida. Não podia receber ninguém, ou seja, passava dias e horas nas redes sociais. Eu e um monte de gente que tem acesso à internet. E é a partir desse contexto que escrevo agora, mas quero muito em outro momento falar sobre o abismo digital que nos cerca. E quem trabalha com comunicação sabe, tudo virou comunicação na pandemia… As demandas e trabalhos no setor chegaram a níveis muito, muito difíceis para quem trabalham na área. O esgotamento foi uma constante.


Tereza de Angola e a única rede que ela realmente gostava quando nasceu. Até hoje a que mais gosta, fora a rede social real das colegas da escola. | Acervo pessoal - Junho 2020.


A questão é que, agora, quase quatro anos depois, estou exausta das redes sociais. E nem acredito que vamos completar quatro anos do início da pandemia em 2024. Foi tudo tão rápido, mas também devagar e doloroso ao mesmo tempo. E sinto que a lógica que estão por trás das redes sociais, a lógica da economia da atenção, está sendo vitoriosa. Porque mesmo exausta, eu não consigo deixar de estar nelas. A verdade é que eu nem quero estar fora da Internet. Mas gostaria de estar com mais qualidade, pois estou sem energia para as diversas interações. E você, como tem se sentido?


Sinto que não estou sozinha nas percepções. Dias atrás, me chamaram a atenção algumas postagens de pessoas que sigo, comentando o fato do Instagram estar se tornando uma rede social fantasma. Isso porque estamos lá, mas já não interagimos como antes, não conversamos por lá, como é a ideia de uma rede social digital. Apenas assistimos, literalmente, como em uma TV, os diversos stories, ou reels recomendados, ou rolamos o feed sem muito critério. Estamos lá. Mas como estamos? "As redes se tornaram menos sociais e mais midiáticas, como aponta o Business Insider" e como explicou André Carvalhal em uma postagem.


Os motivos não cabem nesse texto, mas passam por esgotamento da vida mesmo, que já nos deixa exaustas pela lógica produtivista, por estar mais cara…; pela dinâmica das próprias redes sociais digitais em montarem estratégias que nos atraem; pelos corpos e imagens "perfeitas" que nos são apresentadas diariamente montadas através dos diversos filtros, etc. A lista é grande, o debate não é raso. Mas tudo isso para dizer que ainda há vida fora daqui desse provedor de email, da rede social digital mais usada por você ou por mim, e que já tem mais gente pensando nisso. Já se fala em "o fim da era de ouro das redes sociais", e um relatório do Dazed Studio indica que elas estão em declínio e que pessoas entre 19 e 25 anos representam a faixa etária que tem reduzido o uso delas. Informações trazidas pela plataforma The Summer Hunter.


E o que nos resta fora da Internet e das redes sociais digitais? Uma vida inteira. Tereza, minha filha, integra uma geração que não sabe o que é uma vida sem Internet. Tendo apenas dias de nascida já fazia vídeo chamada para as avós. Era a condição para, ao menos, aprender a identificar a voz delas, já que não tinha o toque pelo distanciamento social. Mas hoje, em que já não vivemos a pandemia da Covid 19, como estamos nos comunicando? Onde estamos colocando a nossa energia? Estamos nos conectando ou nos isolando mais?


Para nós, trabalhadoras da comunicação, ou para você instituição que precisa pensar em como se comunica com seu público, com seus parceiros, com seus financiadores, mas também com a sua família. Como você está se comunicando ou se informando fora da Internet? Que outras referências que não as trazidas pelos algoritmos você está acessando?


Por aqui a gente tem pensado muito sobre isso, inclusive porque não queremos sair das redes, da Internet e nem deixar de produzir comunicação para ela. Queremos que mais pessoas tenham acesso a ela, de forma democrática e inclusiva. Precismos pensar além. Fazer comunicação não se reduz a um post de Instagram. É desse jeito que continuamos refletindo, elaborando sobre, buscando outras referências.

E você, o que acha? Vamos pensar de forma conjunta?



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