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Inteligência Artificial: a gente precisava conversar com calma

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 6 de abr.
  • 3 min de leitura

por Catarina de Angola*

A gente esperou o primeiro trimestre do ano passar pra voltar a esse tema da Inteligência Artificial (IA) com a atenção que ele merece. Não porque não tivéssemos o que dizer mais, mas porque muita gente já estava dizendo muita coisa ao mesmo tempo e, honestamente, o barulho em volta da IA cansa. Cansa e, muitas vezes, gera mais ansiedade do que aprendizado. Aquela sensação de que você tá perdendo tudo, ficando pra trás, de que se não adotar agora vai ser tarde demais. A gente aqui reconhece esse sentimento e não queria chegar na Fuá reproduzindo ele.

 

Mas também não dá pra não falar sobre, porque no fim das contas, do ponto de vista da produção de conteúdo, muita gente já está usando alguma ferramenta de IA, seja pra escrever textos, criar imagens, organizar uma pauta ou responder um email mais rápido. As organizações sociais, os movimentos, os comunicadores e comunicadoras do campo social, todo mundo está navegando nesse território, com mais ou menos consciência sobre isso. E é justamente aí que a gente da Angola Comunicação quer aprofundar a conversa, não pra dizer o que é IA generativa de um jeito que você já leu em dez outros lugares, mas para fazer as perguntas que o nosso campo precisa fazer e que em geral não está fazendo.

Foto: Freepik com intervenção da Inteligência Artificial. 
Foto: Freepik com intervenção da Inteligência Artificial. 

Há bastante tempo estamos mergulhadas nesse tema. Eu, pessoalmente, tenho estudado sobre isso com consistência, acompanhando debates, testando ferramentas, observando o que acontece a partir desses usos. Um exemplo que a gente vai trazer com mais profundidade ao longo deste mês: os jovens do Fala que Alimenta, nossa formação em comunicação com juventudes da periferia do Recife, já usavam IA nos seus exercícios desde o começo da trilha. Quando chegamos na aula específica sobre o tema, muitos deles já tinham o uso incorporado no cotidiano, mas o que nos marcou foi perceber que, quando a ferramenta encontra pessoas que já têm identidade e consciência de sua voz para transformação de realidades, ela vira instrumento, não substituto. A voz continuou sendo deles.

 

E é exatamente isso que a gente quer provocar em quem nos acompanha aqui na Fuá. Por isso, antes de anunciar o que vem nos próximos textos de abril, a gente já quer deixar três perguntas pra você levar pra dentro da sua organização agora. Não como checklist, mas como ponto de partida pra uma conversa que talvez ainda não tenha acontecido.


  • Vocês já conversaram internamente sobre os limites do uso de IA, o que entra e o que não entra na ferramenta, especialmente em relação a dados, histórias e imagens de comunidades?

  • Quando sua organização usa IA pra criar conteúdo, quem verifica se aquilo ainda soa como vocês?

  • A IA está economizando tempo pra fazer mais do mesmo, ou liberando espaço pra pensar com mais profundidade?

 

Durante todo este mês, a Fuá vai ser um espaço de reflexão sobre Inteligência Artificial, não um manual, não um guia de ferramentas, mas uma série de textos que quer provocar, contextualizar e trazer aprendizados reais do nosso campo. Vamos falar sobre como usar essas ferramentas sem abrir mão da própria voz e sobre os riscos que não podemos ignorar. E se quiser aprofundar a conversa, seja numa palestra, numa formação ou numa consultoria, é só chamar. Fica à vontade também pra nos dar sugestões de que abordagem da IA podemos trazer aqui neste mês.

 

*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.

 
 
 

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