O que uma campanha faz pela democracia

por Catarina de Angola*
Na última sexta-feira, 25 de setembro, o presidente Lula assinou a medida provisória que proíbe a atuação das bets no Brasil. A MP já está em vigor, mas ainda precisa ser votada pela Câmara e pelo Senado em até 120 dias pra virar lei, e chegou junto com um pacote de medidas que inclui um projeto de lei para criminalizar a exploração de jogos de azar, além de uma nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas. O endividamento das famílias brasileiras com as apostas esteve no centro dessa decisão.
O Brasil vivia um momento em que as bets estavam dentro da casa e da vida das pessoas, à mão, nos celulares, nas camisas dos times, nas propagandas online e offline, no conteúdo de influenciadores, e por isso era uma das pautas centrais deste período eleitoral. Candidatos precisaram se posicionar sobre ela. Essa é uma decisão política que mexe diretamente com a vida das pessoas, com o dinheiro que falta no fim do mês, com as dívidas que se acumulam, com a renda de famílias inteiras.
E é justamente isso que um processo de campanha faz pela nossa democracia. Ele mobiliza pessoas, coloca temas na pauta da sociedade, pressiona quem disputa um cargo a se posicionar sobre o que importa pra vida da população, e abre espaço pra que a gente cobre compromissos de quem vai decidir nos próximos quatro anos. Campanhas de mobilização social têm esse mesmo valor, e é por isso que a gente acredita tanto numa comunicação mobilizadora, que conecta, que convoca e que pressiona pelas pautas que precisam ser discutidas.

E foi a partir desse nosso compromisso com posicionamentos que, aqui na Angola Comunicação, lançamos em agosto a campanha Sustenta! Já no manifesto reafirmamos que imparcialidade não existe, e que quem fala que política não se discute perdeu a possibilidade de defender o projeto de país em que acredita. Comunicar pra mobilização social, pra mim, sempre parte de escolhas sobre quais direitos defender e pra quem.
No próximo domingo, 4 de outubro, o Brasil vai às urnas pra escolher pessoas que irão ocupar os cargos de presidência, governos estaduais, Congresso Nacional e assembleias legislativas. Então, que possamos eleger o máximo de candidatos e candidatas comprometidos com a democracia, com a justiça social, contra violações e opressões. Que possamos eleger mais mulheres, mais mulheres e homens negros, mais indígenas, quilombolas, pessoas LGBTQIA+. Que possamos garantir mais diversidade, compromisso e diálogo com a sociedade civil organizada, com movimentos e organizações sociais, e que avancemos nas pautas comuns.
Escrevo com esperança no nosso processo democrático. Boa eleição pra nós!
*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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