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Comunicação para transformação social também precisa de planejamento

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

por Catarina de Angola*

Hoje vou começar com uma história! Há 20 anos, uma jovem da periferia do Recife, que estava começando o curso de jornalismo na universidade, decidiu que ia usar o acesso à internet, que acabava de ter em casa, para fazer um blog, que ela chamou de agência de notícias, e que ia compartilhar nesse espaço o cotidiano do lugar em que vivia. Mas não o cotidiano da falta, porque isso já tinha notícia em outros veículos de comunicação. Ela queria registrar, pra ficar na memória, as informações que até alguns moradores e moradoras não tinham acesso sobre o lugar, uma ocupação que naquele momento tinha a idade da jovem, 19 anos. 

 

Ela queria compartilhar o histórico dessa comunidade, chamada Roda de Fogo, na Zona Oeste do Recife, contar como tudo começou, como a população se organizou ao ocupar aqueles 60 hectares no meio da cidade, como nada foi dado, tudo foi conquistado. Ela tinha acesso a essas informações pela participação da sua família nessa luta e tinha um sonho, de que todo mundo acessasse isso e que a história continuasse sendo contada, não pela perspectiva da violência, mas pela da coragem, da organização política, da cultura, da alegria, da vida daquele lugar, onde ela, quando criança, corria e brincava com os amigos. 

 

Ela já tinha entendido e aprendido, com a própria história do lugar, que a comunicação poderia ser um caminho pra registrar essa memórias, pra mobilizar pessoas. E pra isso ela mais uma vez, tendo aprendido com a comunidade, começou a voluntariamente formar outros comunicadores e comunicadoras comunitários.

 

Sábado 24 de janeiro, nós da Angola Comunicação, reunimos cerca de 40 jovens em uma atividade presencial de formação em comunicação e alimentação. Essa jovem de duas décadas atrás estava lá e sou eu, que estava realizada em mais uma vez ver processos de comunicação mobilizarem juventudes. E também de poder contribuir para que a sementinha da comunicação para a mobilização frutifique e que tenhamos jovens protagonizando suas histórias em seus territórios e fora dele, assim como eu fiz. Mais uma vez eu não fiz isso sozinha, com a equipe da Angola Comunicação pensei na proposta provocada pela Umane.


Catarina de Angola conversando com os jovens participantes do Módulo II do Fala Que Alimenta. Foto:  Yane Mendes. 
Catarina de Angola conversando com os jovens participantes do Módulo II do Fala Que Alimenta. Foto:  Yane Mendes. 

E desde dezembro do ano passado, colocamos o bloco na rua fazendo a execução e implementação local da formação. A Catarina de Angola, comunicadora comunitária, sonhadora e destemida de 20 anos atrás, está feliz demais em ver essa ação acontecendo hoje, mas também tantas outras ações que nós enquanto Angola Comunicação temos realizado, ao lado de tantas organizações que admiramos, mas também com tantas outras pessoas que tem feito da comunicação sua ferramenta pra fazer deste mundo um lugar melhor pra todas as pessoas. Na edição deste módulo do Fala, ter estado ao lado de companheiras que eu admiro e que eu tanto já aprendi nesses anos foi mais um motivo da minha alegria. 

 

Termino dizendo que esse sonho só se realizou porque a gente planejou aqui na Angola Comunicação, pensou nos projetos que mais queremos colocar energia e nossa força criativa, e temos executado tudo com método próprio e monitoramento. E são essas ferramentas que a gente partilha com quem é parceiro, quem nos chama pra conversas e trabalhos. E assim a gente pode sonhar mais alto e realizar muitos desses sonhos. 

 

O Fala que Alimenta é executado pela Angola Comunicação, tem apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e da Umane e realização da Prefeitura do Recife.

 

E se você se interessou em saber mais sobre a Roda de Fogo, em 2008, na minha conclusão de curso em jornalismo documentei essa história de organização política pelo direito à moradia em vídeo. Tá aqui!


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.


 
 
 

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