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É carnaval e comunicação tem tudo a ver com isso

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 16 de fev.
  • 3 min de leitura

por Catarina de Angola*

Eu não sei você que me lê, mas eu escrevo diretamente de Recife, e não se pensa em outra coisa a não ser no carnaval. Hoje à noite, temos a subida do Galo da Madrugada, onde literalmente uma escultura de 32 metros de altura do galo vai ser erguida, e isso já é uma das programações da festividade. Na verdade, desde setembro passado temos prévias e festas carnavalescas, mas aí já é conversa pra outro momento. A certeza que temos é que estamos trabalhando em ritmo de final ano, para fechar tudo até amanhã e só voltar no final da semana seguinte, dia 19. E o quão importante é pra nós essa pausa do carnaval!


Aqui em Pernambuco o carnaval é uma festa essencialmente popular, onde nós esbarramos com as mais diversas expressões populares, muitas alegrando esses dias de festa há séculos. É um momento pra gente se fantasiar, sair de casa, lotar as ruas, dançar, se divertir, tudo isso coletivamente. Não existe carnaval sem povo na rua! Nos últimos anos, tenho pensado como esse é um momento em que a gente deixa tanto as telas e se esbarra, se encontra, bota a mão na massa literalmente fazendo as fantasias, se diverte.

O Galo da Madrugada de 2026 pronto para subir. Foto: Reprodução Jornal do Comércio
O Galo da Madrugada de 2026 pronto para subir. Foto: Reprodução Jornal do Comércio

Ao mesmo tempo faz política, se indigna e expressa isso em fantasia, em música de bloco, resiste a opressões. E quem não é da folia ainda tem dias de descanso! Que merecido é o carnaval. Para o nosso trabalho aqui na Angola Comunicação, ele é na prática o que a gente repete todos os dias: pé no chão, nos territórios, aprendendo com os diversos povos, usando a criatividade pra construir resistências. É comunicação na prática, das mais diversas expressões. Que necessário fazer isso na rua, brincando, cantando, ensinando as crianças a necessidade de se vivenciar tudo isso.


Estamos vivendo esse momento geopolítico mundial cada vez mais acirrado, com forte violência à diversidade racial, à diversidade sexual, de corpos e de gênero e com a opressão e o conservadorismo crescente. Mas as festas populares como o carnaval nos lembram que temos na alegria a força de mobilização. Há duas semanas tive o prazer de ouvir a escritora Cida Bento aqui no Recife, e fica a dica pra quem ainda não leu o livro Pacto da Branquitude. Ela nos disse em uma de suas falas, algo como que é essa nossa natureza da resistência popular que nos fará vencer o conservadorismo, e destacou como o Nordeste, por exemplo, tem papel importante nesse processo, com suas festas populares. E pra mim, carnaval é isso.


Bad Bunny em apresentação no Super Bowl 2026. Foto: Reprodução Jornal Nexo
Bad Bunny em apresentação no Super Bowl 2026. Foto: Reprodução Jornal Nexo

Não podia terminar esse texto sem antes relacionar tudo o que escrevi acima com a apresentação de Bad Bunny, no Super Bowl, no último domingo. Estou obcecada por esse assunto. Mas é porque vi ali naquela apresentação (além de um chá revelação aos norte americanos de quem é a América), a soma desse espírito do carnaval com a fala que ouvi de Cida Bento.

 

Ver o artista usar esse espaço e sua arte para demarcar politicamente a existência do povo porto-riquenho, mas também de América Latina, foi também ver como por aqui o povo brasileiro faz isso diariamente com sua música, sua escrita, sua intelectualidade. O chá revelação de ser latina, o Movimento Feminista Negro já tinha me dado, afinal 25 de julho é dia da Mulher negra, Latinoamericana e Caribenha. 

 

Ver as diversas formas de comunicação e expressão exaltarem a força popular, ainda com música e alegria, não tem mesmo preço.


Bom carnaval!


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.


 
 
 

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