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Facilitar é escutar antes, durante e depois

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura

por Catarina de Angola*

"Vocês também fazem facilitação de eventos?" A resposta é sim! E faz sentido que venha de uma equipe de comunicação, porque pra gente facilitar e comunicar são a mesma coisa. Mas a facilitação ainda é vista por muitas organizações como um detalhe operacional, como a pessoa que segura o microfone ou controla o tempo das falas. Não é isso.

 

Facilitar um processo é, antes de tudo, escutar. Escutar quem contrata a gente pra entender o que precisa sair daquele encontro; escutar a nossa própria equipe, porque mais olhares sobre o mesmo processo traz diversidade e mais criatividade e escutar o público, já no evento em si, quem está na sala, quem são essas pessoas, o que já sabem, o que podem construir junto.

 

É a partir da escuta que a gente começa a pensar metodologia, ferramentas, fluxo da programação, sistematização. E mesmo depois de tudo planejado, a gente fica o tempo todo revisitando, durante o processo mesmo. Porque um bom processo de facilitação é vivo, ele responde ao que surge e não só ao que foi previsto.

 

Este ano a Angola Comunicação já esteve/está envolvida em três grandes processos de facilitação, cada um com sua complexidade própria e alguns já conversamos aqui. Estamos desde o ano passado construindo o Fala que Alimenta, formação de jovens da periferia do Recife em comunicação, tendo a alimentação saudável como mote. Um processo de seis meses, com encontros remotos e presenciais, que exige pensar cada etapa como parte de uma trajetória, não como eventos isolados.

 

O Programa Sementes do Semiárido, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em fevereiro, foi um desafio: facilitar a retomada de um programa importante, com cerca de 130 participantes de todo o Semiárido, durante cinco dias presenciais. Quando a gente soube que era uma retomada, sugerimos inclusive um plantio. Plantamos então juntos um Baobá, porque se é retomada, precisa ser demarcada. E agora em março começamos a facilitação da trilha de comunicação e captação de recursos do projeto AURORA, iniciativa da Painá, com a OAK Foundation, que você já conhece se está lendo a Fuá nas últimas semanas.

Foto:  Catarina de Angola facilitando o encontro do Programa Sementes do Semiárido, da ASA, em fevereiro.
Foto:  Catarina de Angola facilitando o encontro do Programa Sementes do Semiárido, da ASA, em fevereiro.

Seja remoto ou presencial, o que não muda é a nossa proposta de construção: participação, exposição dialogada e escuta. A gente pensa nas ferramentas, desde tarjetas, papel, pincel, Canva, Padlet, mas pensa também no que cada escolha comunica. Adoramos pensar em playlists personalizadas (confere aqui no nosso perfil no Spotify), nos momentos de pausa, no que acontece entre uma atividade e outra. E ao final, sistematiza o que foi construído coletivamente, porque o resultado de um processo assim não pode se perder. É memória!

 

Tudo isso porque pra gente facilitar é também comunicar. Cada escolha metodológica carrega uma mensagem sobre como aquele grupo é visto, sobre o que se acredita ser possível construir junto. Um evento bem facilitado não termina quando as pessoas saem da sala, ele continua nas conversas que provoca, nas decisões que são tomadas, na narrativa que ajuda a organização a contar sobre si mesma.

 

Facilitação bem feita transforma um evento em uma experiência, toca as pessoas e tudo isso se converte em participação. E participação real é comunicação das mais poderosas que existem.

 

Se a sua organização tem um processo assim pela frente, uma formação, um encontro, uma retomada, pode também chamar a gente pra conversar.


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.

 
 
 

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