IA não é pauta do futuro. Já é o presente.
- Angola Comunicação

- há 23 horas
- 3 min de leitura
por Catarina de Angola*
Tem uma contradição no uso da Inteligência Artificial que temos observado no dia a dia do trabalho e que ter participado semana passada do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE), aqui no Recife, nos escancarou.
O nosso campo de atuação, o terceiro setor, a filantropia, a comunicação de causas, tem feito uma crítica consistente à IA. A aceleração das desigualdades, o consumo intensivo de recursos naturais, a concentração de conhecimento e poder político, o enriquecimento construído sobre o trabalho alheio, a produção acelerada e sem critério. A gente também faz essas críticas e reflete sobre elas com muita convicção de que precisam ser feitas, e já trouxemos algumas aqui e aqui. E é por isso que temos reforçado que precisamos conversar mais sobre isso.

Mas ao mesmo tempo, na Angola Comunicação a gente tem recebido termos de referência elaborados com IA, sem supervisão humana, com entregáveis e prazos que não fazem sentido para a natureza do trabalho. Chegam “referências visuais” como guia para o trabalho de design e com a solicitação de que a designer refaça "mais bonito", em um tempo recorde, sem considerar que uma ilustração feita por um ser humano tem outro processo, outro tempo, outro custo. E quantas vezes a gente mesmo, no dia a dia de trabalho, reproduz essa lógica, muitas vezes sem perceber? O tempo que "sobrou" não foi pra uma dinâmica mais acolhedora, não foi pra nossas vidas, mas foi pra produzir mais, no mesmo ritmo da máquina.
O FIFE me fez pensar mais sobre isso
Foram quatro dias com gestoras e gestores de organizações sociais, investidores sociais, lideranças, pesquisadoras, consultoras, pessoas que fazem comunicação e captação. E a IA foi o tema que tomou conta das conversas, palestras e painéis, especialmente como forma de fortalecer o trabalho das organizações sociais. Uma observação que Anna Terra, aqui da nossa equipe, já trouxe durante o FIFE foi a da “fadiga visual causada pela estética de IA” e isso aqui também merece uma grande conversa.
Temos um caminho longo de elaboração coletiva sobre o que significa, na prática, incorporar IA ao trabalho das organizações sociais. Como, pra quê, com quais cuidados, a serviço de quem, como tarefa concreta: estamos usando, então precisamos pensar protocolos, precisamos construir políticas internas, precisamos parar de tratar isso como futuro quando ela já é o presente.
Mas o que ficou mesmo foi a conexão

No meio dessa reflexão toda, o que mais ficou de forte pra gente na semana passada foi a conexão. Aproveitamos a presença de tanta gente do terceiro setor aqui no Recife e, nós da Angola Comunicação, junto com Painá, Reinvento, RH+DH e Zoom Social, organizamos um happy hour para reunir amigas, amigos, clientes e parceiros que estavam no FIFE.
Foram cinquenta pessoas, comida maravilhosa do Chef Thiago das Chagas, que nos acolheu no seu restaurante Gracinha de Olinda, muita troca e uma playlist que ajudou a criar o clima. Receber esse campo da filantropia no nosso lugar e nos conectarmos ainda mais foi muito especial, e sem a correia que a IA nos pauta.
Semana que vem continuo essa conversa. E se quiser aprofundar na sua organização, numa formação ou consultoria, é só chamar ou trocar com a gente por e-mail.
Vamos adorar te escutar!
*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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