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Você já usa IA. Às vezes só não sabia.

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 20 de abr.
  • 4 min de leitura

por Catarina de Angola*

Continuamos na nossa série de textos sobre Inteligência Artificial neste mês de abril. E na semana passada, comecei a falar mais da parte prática e dei exemplos de como uso, mas  hoje, quero aprofundar um pouquinho mais. Antes de falar de ferramentas específicas, quero começar por uma coisa que acho curiosa no dia a dia. Temos discutido muito sobre IA, sobre os riscos, sobre os vieses, sobre a concentração de poder nas big techs, e devemos cada vez mais mergulhar nessa conversa, trouxemos ela aqui algumas vezes, como no texto passado. Mas enquanto isso acontece, a gente também já adotou IA sem muito questionamento, sem nem perceber que estava fazendo isso com o uso de algumas ferramentas, já percebeu?


O aplicativo CapCut é um bom exemplo, porque está nos celulares de comunicadoras, gestoras e equipes de muitas organizações sociais. É usado para editar vídeos curtos, colocar legendas, trilhas, etc. Funciona bem, pode ser usado no modo gratuito e isso acaba fazendo dele mais acessível. O que muita gente não sabe é que o CapCut tem IA integrada em várias funções, e que a empresa tem acusações de lucro ilegal com uso de dados, como tantas outras. Um exemplo de que o debate sobre IA e privacidade não começa apenas quando a gente baixa o ChatGPT. Na verdade, ele já começou antes e a gente já estava participando dessa conversa. Já percebeu que o WhatsApp tem uma IA integrada nele também, né?


Além do ChatGPT


Quando falo que uso IA, percebo que muita gente traz apenas o ChatGPT (OpenIA) pra conversa, mas na verdade esse universo é muito maior. E por isso, trago aqui exemplos de algumas outras ferramentas pra quem trabalha com comunicação:


Claude (Anthropic): é o que mais uso no dia a dia (e com a qual me sinto mais segura), me ajuda na estruturação de textos, análise de documentos e pesquisa, mas ele faz muito mais. Tem uma atenção maior a questões de privacidade e segurança na forma como trata os dados. Fundada em por ex-funcionários da OpenAI, que saíram por discordâncias sobre a segurança. 


Gemini (Google): integrado ao Google Workspace, o que é relevante pra quem já usa Gmail, Drive e Meet no dia a dia. Ajuda a resumir e-mails, organizar documentos, redigir diretamente no ambiente do Google, criar imagens, transcrever reuniões, etc.


Perplexity: funciona como um buscador com IA. Responde perguntas citando as fontes, o que facilita a verificação, algo fundamental pra quem trabalha com informação.


Otter.ai e similares: transcrição automática de reuniões e áudios já gravados. Quem já gastou horas transcrevendo entrevista sabe o que isso significa na prática.


MariTalk (Maritaca AI): não é de nenhuma big tech. É uma startup brasileira criada por pesquisadores da Unicamp, com modelo de linguagem treinado em português e com foco no contexto brasileiro. Tem versão gratuita, mas essa eu nunca usei, achei na pesquisa para esta escrita e importante trazer porque temos falado muito sobre soberania digital.


E o próprio CapCut, já mencionado: além de editar vídeo, gera legendas automáticas, remove fundo, corta trechos relevantes de vídeos longos, e cria vídeo a partir de roteiro em texto. 


Mas existem muitas, muitas outras.


Reforçando que o uso de IA e qualquer outra tecnologia merece reflexão, e a gente pauta isso aqui no nosso trabalho todos os dias.

Foto: Freepik. Com intervenção da IA para inserir as logomarcas das IAs mencionadas no texto acima.
Foto: Freepik. Com intervenção da IA para inserir as logomarcas das IAs mencionadas no texto acima.

Um destaque sobre agentes, porque isso está chegando.


Vou destacar isso aqui, porque tenho lido, estudado e refletido muito sobre o uso de agentes de IA. Se você não ouviu sobre isso ainda, vai ouvir em breve. E aqui esse trecho abaixo de definição, foi o Claude que me ajudou com  a definição.


A diferença entre um chatbot e um agente é basicamente sobre autonomia. Um chatbot responde quando você pergunta. Um agente recebe uma tarefa e age para realizar, tomando decisões no caminho, conectando sistemas, executando etapas sem que você precise intervir em cada passo dele (meio surreal isso, eu ainda acho!). Você já pode fazer isso, inclusive configurar, por exemplo, um agente para monitorar diariamente projetos de lei que impactam comunidades onde sua organização atua, classificar os que são urgentes e te enviar um resumo toda semana. Mas pode também criar um agente para fazer compras para sua casa, ler seus e-mails, pesquisar passagem aérea…


Para maioria das organizações, isso ainda não é o cotidiano. Mas é importante saber que existe, porque as decisões sobre adotar ou não essas ferramentas vão aparecer, e é melhor chegar nessa conversa sabendo o que existe e conseguir refletir sobre o uso.


E como exemplo do monitoramento legislativo, tem a QuitérIA, desenvolvida pelo Instituto AzMina, é um exemplo concreto de IA usada com intencionalidade política em defesa de direitos. É uma ferramenta criada pra monitorar automaticamente projetos de lei no Congresso Nacional com impacto nos direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. O que a diferencia é que ela não foi treinada com dados aleatórios da internet, mas  com cinco anos de trabalho intelectual com recorte feminista. O código é público e pode ser adaptado para outros temas.


O que não pode ir pra IA


Reforçando o que mencionei na semana passada, dado sensível não deve entrar em ferramenta de IA. E é importante entender o que isso significa na prática, então, busque informações sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que se aplica a toda organização que coleta e trata dados de pessoas físicas, incluindo organizações sem fins lucrativos. E ela define o que são dados sensíveis: origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato, dados de saúde, etc.


Na prática, o que fazer:


Antes de inserir qualquer informação numa ferramenta de IA, pergunte: isso identifica alguém? Se sim, no mínimo, deixe anônimo antes. Trabalhe com o contexto, não com o caso real. E converse com a equipe sobre isso, pense em uma política sobre uso de IA pra sua organização.


Semana que vem continuo e vou trazer casos de quando identificamos como a IA está sendo usada no dia a dia pelas organizações e já alterando as dinâmicas de trabalho. E se quiser aprofundar isso na sua organização, numa formação ou consultoria, é só chamar ou trocar com a gente por e-mail.

 

Vamos adorar te escutar!


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.


 
 
 

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