A Angola Comunicação no SXSW London
- Angola Comunicação

- 8 de jun.
- 3 min de leitura
por Catarina de Angola*
Escrevo esta Fuá diretamente de Londres, no começo do SXSW London, versão londrina do South by Southwest, festival que reúne muita gente, de vários lugares do mundo em torno de cultura, tecnologia, criatividade, mídia, música e arte. É a primeira vez da Angola Comunicação por aqui, e eu vim representando a gente.
Vim porque ampliar conhecimento e escutar quem pensa de outros lugares é parte do trabalho que fazemos, e porque também sei que temos conhecimento a aportar nessas trocas. Sou jornalista do Nordeste do Brasil, mulher negra, à frente de uma iniciativa de comunicação de causas, integrada por mulheres diversas, que opera a partir do Sul Global há quase sete anos. É desse lugar que eu olho pra um evento como esse.
Antes mesmo de chegar, uma coisa já se confirmava no exercício de montar a agenda: o circuito global de eventos sobre tecnologia, IA, mídia e criatividade ainda concentra muito do debate em quem produz a partir do Norte Global, e quase nunca em quem aplica essas tecnologias em contextos de desigualdade e disputa por direitos. Comunicação de causas, do jeito que a gente entende e pratica na Angola Comunicação, raramente aparece nessas mesas. E é justamente por isso que faz sentido estar em espaços assim, porque ocupar também é uma forma de incidir.

A Angola Comunicação já trabalhou em muitos territórios. Aprendemos com o Semiárido, com o Marajó, com as periferias do Recife, com as redes de mulheres do Nordeste. O que esses territórios ensinam sobre escuta, sobre tempo, sobre quem narra e quem é narrado, é o que trago comigo num festival como esse.
Nas minhas primeiras impressões do que já ouvi e vi por aqui, fica nítido que IA, criatividade e atenção estão no centro do debate, uma coisa que leva a outra. Há um ciclo que aparece em várias falas: o de retomar as rédeas da nossa produção de conhecimento, pra colocar nossa atenção onde de fato importa para nossas vidas. Mas, no contexto de hoje, sabemos que essa não é apenas uma tarefa individual, mas coletiva. Governos precisam entrar nas discussões de regulação da ação das big techs e isso também entrou no debate de outra conversa por aqui sobre o futuro do jornalismo.
Na palestra Por que a criatividade moldará o futuro dos negócios, o publicitário britânico John Hegarty, cofundador e diretor de criação da The Business of Creativity, e uma das figuras mais influentes da publicidade mundial, disse que "a inovação começa com a criatividade" e que "a criatividade é uma habilidade essencial". E somo a essas afirmações o que aprendo no dia a dia com nosso trabalho na Angola Comunicação: acredito que a gente ative fortemente a criatividade com ação coletiva e o olho no olho. Pra mim, as conversas iniciais aqui no SXSW London só reforçam o que já dizemos: nenhuma ferramenta substitui identidade e a criatividade humana. Sigo na programação aqui em Londres até dia 06, na busca por encontrar novidades, novos jeitos de fazer, de contar histórias, de colocar o conhecimento em prática.

E semana que vem, representantes da nossa equipe seguem para outro festival, o Web Summit Rio, que acontece no Rio de Janeiro, e vamos juntas compartilhar por aqui os conhecimentos e reflexões que essas imersões somam com a gente. Também te convido a acompanhar nossa cobertura dos dois festivais no nosso Instagram @angolacomunicacao.
Enquanto uma parte da nossa equipe ganha o mundo, a outra parte segue, do Norte e Nordeste do Brasil, tocando nosso trabalho pra organizações de todo país e internacionais, com muita sensibilidade e conhecimento. Sigamos!
*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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