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A campanha já começou, e a comunicação também precisa começar

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • 15 de jun.
  • 3 min de leitura

Por Catarina de Angola*


Já destaquei aqui que, no nosso planejamento de equipe, em maio, as eleições de outubro ocuparam uma parte importante da nossa conversa sobre os próximos doze meses. E a nossa sensação é que a campanha, na prática, já começou. Notícias sobre articulações, pré-candidaturas, novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de Inteligência Artificial e desinformação, e ao mesmo tempo, muita notícia falsa circulando todos os dias, conteúdo manipulado por IA chegando por WhatsApp, publicado nas redes, entrevistas em podcasts deslegitimando políticas estruturantes, narrativas sendo construídas pra disputar o que vamos pensar daqui a quatro meses.

 

E é justamente por isso que comunicar em ano eleitoral não é apenas o produto de comunicação em si. Não é só a peça gráfica, o vídeo, o post. É construção de narrativa, é disputa política, é processo que pede tempo, escuta, planejamento estratégico e objetividade sobre o que se quer dizer e pra quem. Quem entra na disputa de narrativas do ciclo eleitoral achando que vai resolver com peça bonita, e em cima da hora, vai ter dificuldade de fazer o trabalho que precisa ser feito.

Equipe da Angola Comunicação durante imersão de Planejamento Estratégico. Foto: Jéssica Bernardo/ Angola Comunicação.
Equipe da Angola Comunicação durante imersão de Planejamento Estratégico. Foto: Jéssica Bernardo/ Angola Comunicação.

Na Angola Comunicação, trabalhamos com organizações sociais, movimentos e coletivos que atuam neste período em defesa de direitos, do voto, da cidadania, da democracia. Já construímos campanhas como Eu Voto em Negra e Meu Voto Vale Muito, entre tantas outras iniciativas que tocamos ao longo desses quase sete anos. Trabalhamos por mais mulheres na política, pela eleição de mulheres negras, contra a violência política, sobre a importância do voto, contra a desinformação e os discursos conservadores que avançam sobre direitos. Essa experiência ensina que comunicar em período eleitoral é mobilização social, é construir narrativa que dialogue com territórios e públicos específicos. Não dá pra falar com o Brasil todo ao mesmo tempo, somos um país gigante. E também não temos nas mãos meios massivos como radiodifusão, e as redes sociais que usamos são das Big Techs, que operam na lógica dos algoritmos e dos interesses econômicos delas.

 

Amanhã começa a Copa do Mundo. No sábado, o Brasil entra em campo. Por mais de um mês, futebol vai estar em conversa de família, em mesa de bar, em grupo de WhatsApp, em rede social, em tudo o que é canto mesmo com a nossa pífia performance nos últimos campeonatos. As organizações que se planejaram com antecedência sabem que esse é também um momento de comunicar, de chegar nas pessoas inclusive pra conversar sobre política, sobre direitos, sobre o que está em jogo em outubro. 

 

E nada disso a gente pensa olhando só pra dentro. O que está em disputa neste ciclo eleitoral também tem a ver com o que está acontecendo no mundo, com o avanço de forças que ameaçam direitos já conquistados, com as guerras, com o lugar do Sul Global no debate climático e tecnológico, com a concentração inédita de poder político e econômico nas mãos de poucos. Por isso temos buscado também olhar pra fora. No ano passado, estivemos na China. Neste ano, acabamos de participar do SXSW em Londres. Lemos contexto, escutamos territórios, observamos movimentos. Comunicar mobilização em 2026 é também leitura de mundo.


Catarina de Angola durante o SXSW London 2026. Foto: Angola Comunicação
Catarina de Angola durante o SXSW London 2026. Foto: Angola Comunicação

E é por isso que estamos disponíveis pra construir processos de comunicação com organizações e movimentos sociais neste ciclo eleitoral. Estamos animadas pra esse trabalho, prontas pra contribuir com quem quer disputar narrativa, mobilizar suas bases, comunicar com seus públicos em defesa da democracia e dos direitos. Quem quiser conversar mais é só chamar a gente, pode responder a este email.


Na próxima edição, aprofundamos mais uma camada dessa conversa: o que significa fazer comunicação para mobilização em uma eleição em que a Inteligência Artificial vai estar no centro da disputa. Trago também observações que trouxe de Londres, do SXSW, sobre esse assunto. Até lá!


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.

 
 
 

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