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Comunicação não é só internet, e internet não é só Instagram

  • Foto do escritor: Angola Comunicação
    Angola Comunicação
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

por Catarina de Angola*

Quando a gente começa um diagnóstico de comunicação com uma organização, é comum que a primeira coisa que apareça seja o Instagram. Parece muitas vezes que a comunicação da organização foi ficando do tamanho da conta que ela mantém numa plataforma, e é a partir dali que ela se avalia. Com equipe enxuta e muita demanda, isso tem uma explicação prática, mas tem também uma consequência política.


No último sábado (18), estive na mesa de lançamento do livro de Rosane Borges, Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível, aqui no Recife, a convite do Observatório Feminista do Nordeste, com Ingrid Farias e mediação de Kauana Portugal. Foi uma honra e alegria estar ali com Rosane, que acompanho como pensadora da comunicação há muito tempo.


Neste seu novo livro, no capítulo sobre comunicação, Rosane Borges parte da acadêmica e ativista Beatriz Nascimento pra pensar comunicação como troca. E, se comunicação é troca, então uma organização social precisa se perguntar onde ela está depositando a sua. E a resposta, na maioria das vezes, é: em estruturas que têm donos, que têm cor, que têm gênero, e que não foram construídas pensando nela nem em quem ela mobiliza.


Comunicação é um território grande em disputa, e essa disputa é sempre desigual. Tenho participado de muitos eventos internacionais sobre futuros, e o que observo é que os espaços embranquecidos do Norte Global discutem futuro sem olhar pra nossa construção de futuro, sendo que a gente pauta futuros há muito tempo, a partir dos nossos territórios e das nossas experiências. E isso é decisão política, e ela chega até a organização social que abre o aplicativo pra publicar sobre o seu trabalho.


Catarina de Angola na mesa de lançamento do livro de Rosane Borges, junto com a escritora, Ingrid Farias e a mediadora Kauana Portugal . Foto: Mariana Lira.
Catarina de Angola na mesa de lançamento do livro de Rosane Borges, junto com a escritora, Ingrid Farias e a mediadora Kauana Portugal . Foto: Mariana Lira.

O que a gente defende na Angola Comunicação é que as organizações de fato precisam estar nesses espaços, mas podemos fazer isso sem ficar refém deles. Porque na hora que querem, as big techs derrubam e apagam as contas que querem e mudam a regra. Estar lá é parte da estratégia, mas não precisa ser a estratégia inteira. E a pergunta que vem em seguida talvez seja: e o que mais podemos fazer para nos comunicar? E avalio que vale um olhar pra trás pra ajudar a encontrar respostas e reconhecer o que nosso povo construiu ao longo da história, que sempre foi coletivo.


Eu nasci e cresci em Roda de Fogo, ocupação urbana do Recife, que se organizou politicamente, foi pra rua, negociou e reivindicou direitos usando muitas estratégias de comunicação, isso há quase 40 anos atrás, e é dali que vem o meu jeito de olhar pra isso e a origem da Angola Comunicação. Uma roda de conversa no território, um aviso na missa, no culto, no terreiro, um grupo de estudo, uma lista de transmissão, uma rádio comunitária, uma reunião presencial.


Nessa roda de conversa com Rosane, falamos de futuros e por isso lembrei muito da minha mãe, Guadalupe Freitas. Ela sempre me disse coisas importantes e duas guardo comigo: que a gente deve estar num lugar enquanto a gente é feliz e que nunca devemos perder a capacidade de nos indignar com as injustiças. Que a gente possa pensar nessas duas perspectivas também na construção da nossa comunicação, elas podem nos mover a mudar estruturas, mas com a perspectiva coletiva da alegria que pode nos inspirar a criar processos ao invés de apenas ficar refém de estruturas que já existem.


Nós da Angola Comunicação estamos com agenda aberta pro segundo semestre de 2026 e pro começo de 2027 pra processos de diagnóstico, planejamento e consultoria em gestão da comunicação. Se essa conversa faz sentido pra sua organização, é só responder a este e-mail que a gente marca esse encontro.


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.


 
 
 

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