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Comunicação também é tecnologia ancestral

Foto do escritor: Angola Comunicação
Angola Comunicação
31 de ago.
2 min de leitura

por Catarina de Angola*

Estive em Salvador/BA, semana passada numa mesa do Festival FALA, sobre tecnologias ancestrais e digitais para jornalismo e comunicação de causas. Foi lá que ouvi Larissa Santiago, publicitária e atualmente secretária executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial no Ministério da Igualdade Racial, dizer que comunicação é território, e que território precisa ser disputado e protagonizado por quem historicamente ficou de fora dessa disputa, na perspectiva do Bem Viver. E durante a mesa balancei a cabeça mil vezes, porque quem nos lê por aqui sabe o quanto escrevo sobre isso.

 

Além de Larissa, dividi a mesa com pessoas que admiro demais: Midiã Noelle, Helena Bertho e Hasla de Paula, com curadoria de Rosane Borges, a convite do Instituto Fala. E foi ali, ouvindo cada uma, que fui percebendo como a gente vive falando de ferramenta nova, de plataforma, de algoritmo, e quase nunca para pra reconhecer que muito antes de qualquer uma dessas coisas existir, comunidades e territórios já tinham tecnologia própria pra se comunicar entre si e com quem precisavam alcançar. 


Mesa de debate no Festival FALA! de 2026, formada por Larissa Santiago, Midiã Noelle, Helena Bertho, Catarina de Angola e Hasla de Paula, com curadoria de Rosane Borges. Foto: Instituto Fala / Saulo de Tarso
Mesa de debate no Festival FALA! de 2026, formada por Larissa Santiago, Midiã Noelle, Helena Bertho, Catarina de Angola e Hasla de Paula, com curadoria de Rosane Borges. Foto: Instituto Fala / Saulo de Tarso

Ao mesmo tempo que me remeti aos textos aqui na Fuá em que a gente sempre traz a diversidade de produção em comunicação do campo popular. Roda de conversa, rádio comunitária, mutirão, cordel. Cada um desses formatos carrega um método, uma lógica, uma forma de decidir o que precisa ser dito e pra quem. Isso é tecnologia, que nasceu dentro dos territórios.

 

Tenho falado bastante, nos últimos meses, sobre como ferramentas de IA chegam com decisões já tomadas, com lógica que não é nossa, e sobre como as organizações tem dependido dos algoritmos das plataformas pra decidir quem vê o que, nossa comunicação mediada pelas big techs

 

Talvez o primeiro passo, antes de qualquer escolha de ferramenta nova, seja reconhecer que tipo de comunicação a organização já sabe fazer, que já vem de dentro dela e do território onde atua, e que não precisa ser substituída por lógica nenhuma de fora.

 

Se sua organização quer pensar isso com mais profundidade, é só chamar a gente pra essa conversa.


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.


 
 
 

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