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Estamos perdendo o espaço de respiro visual?

Foto do escritor: Angola Comunicação
Angola Comunicação
há 10 minutos
3 min de leitura

por Anna Terra Miranda*

Já tem um tempo que conversei com Catarina de Angola, diretora executiva aqui da Angola Comunicação, sobre estar visualmente cansada das imagens feitas a partir da inteligência artificial, o que chamei de fadiga visual da IA. Não é só um abuso de “afe, tá tudo igual!”, apesar de que tem isso também, mas é um cansaço mesmo. Demorei um pouco para conseguir verbalizar o quê exatamente me cansa, e entendi que na verdade é um conjunto de coisas, principalmente a falta de respiro. Eu não sou designer, então não vou trazer aqui uma perspectiva técnica. É apenas a visão (literalmente?) de quem trabalha com comunicação há mais de 20 anos e está mergulhada nesse fenômeno da IA.



Tenho a impressão que, na maioria das vezes, as imagens geradas não possuem espaços livres, não trabalham cores suaves, repetem uns tons mais amarelados, trazem um excesso de elementos gráficos, texturas, volume, contorno. É aquele relojinho perto da hora, o calendário junto da data, os três risquinhos para destacar o texto, o tipo de fonte… Além disso, tem algo também sobre o volume de artes criadas por IA. Todos os dias, em todos os canais. Faz 2 anos que eu desativei meu Instagram pessoal, mas nem por isso eu passo imune. Basta ter um grupo da família ativo no Whatsapp... É como se, ao olhar pra esses conteúdos, a gente tivesse tanto estímulo visual que dá vontade de fechar os olhos, ou olhar pra uma parede preta depois, pra limpar a vista. O equivalente a cheirar café pra limpar o olfato, sabe? 


A gente já vive hoje o que é chamado de “Síndrome da Visão Computacional”, que se agravou na pandemia quando o nosso tempo de tela aumentou consideravelmente. É um conjunto de sintomas e desconfortos que vão desde olhos secos, visão embaçada, dor de cabeça e até dificuldade pra dormir. Que atire a primeira pedra (na tela!) quem nunca sentiu algo assim depois de horas quase sem piscar no computador ou celular. 


Aí chega a IA que, além de aumentar o nosso tempo de tela e diálogos com os chatbots, também traz esse elemento visual que aumenta esse cansaço e essa fadiga ocular. E eu não estou falando de minimalismo x maximalismo. Não é apenas sobre quantidade de elementos, mas também sobre estilo, repetição, qualidade artística mesmo e estratégica.

Arte criada por IA generativa.
Arte criada por IA generativa.

Antes que possam atirar a pedra (em mim!), quero dizer que sei que nem toda arte de IA… Mas bem, sempre uma arte de IA! Sabemos que a qualidade dos prompts e as referências visuais colocadas nas ferramentas generativas colaboram diretamente com o resultado. Mas, no geral, a primeira proposta é uma arte com cara de IA. E se a gente olha pra algo e sabe que é feito com IA, é porque já temos características carimbadas na nossa mente que nos mostram que essa é mais uma arte sem personalidade, genérica, cheia de elementos que, muitas vezes, são bem dispensáveis.


E quando todo o conteúdo que estamos vendo parece ser saído do mesmo lugar, como diferenciar a comunicação? Quantas vezes vemos um conteúdo que passa no feed e, logo depois dele sair da tela, não sabemos de quem era nem o que queria dizer? Como imprimir a personalidade e o tom de voz institucional que tanto demora para ser construído e reconhecido?


Estou trazendo aqui essa reflexão não para me mostrar como uma pessoa saudosista e cair na falácia do “no meu tempo era melhor”, mas para que a gente possa pensar sobre as escolhas que estamos fazendo para comunicar o que queremos. A mensagem que queremos transmitir passa, primeiro, pelo visual. E se a gente cansa só de ver, será que conseguimos nos fazer entender?


Se quiser conversar sobre estratégia, comunicação e arte pra sua organização, chama a gente no contato@angolacomunicacao.com, que na nossa política interna de uso de inteligência artificial está posto que não utilizamos IA generativa para criar artes prontas e do zero. Gostasse? :)


*Anna Terra Miranda é publicitária e comunicadora há mais de 20 anos, e coordenadora geral na Angola Comunicação.

 
 
 

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