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Neste segundo turno, a conversa é parte da estratégia

Foto do escritor: Angola Comunicação
Angola Comunicação
7 de out.
2 min de leitura

por Catarina de Angola*

No último domingo, dia 4 de outubro, 33,4 milhões de pessoas não foram votar, a maior abstenção no país desde 1998, um número cerca de quinze vezes maior que a diferença entre os dois candidatos que vão disputar o segundo turno no dia 25.

 

Pra quem quer eleger um projeto político de emancipação e avanço dos direitos sociais e não genocida, a nossa sugestão é começar a conversar com quem está perto, com quem ainda está indecisa, com quem não foi votar, com quem diz que tanto faz. Pode ser dentro de casa, com a família, com as amigas, com a vizinhança, porque é nessas conversas que a gente consegue escutar o que está por trás do desânimo e falar do que está em jogo pra vida das pessoas. E vale lembrar que quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo, desde que o título esteja regularizado.


Em agosto, encerrei aqui na Fuá a série sobre comunicação e eleições, mesmo sem deixar de falar sobre elas depois, com uma pergunta: como você conversaria hoje com a sua base de atuação se não existissem as redes sociais? Naquela edição, a gente falou sobre o quanto a comunicação das organizações passou a depender de canais que não são nossos e que decidem quem recebe o quê. Essa pergunta volta agora, a vinte dias do segundo turno e segue valendo para o futuro.


Arte da nossa campanha SUSTENTA! falando justamente sobre a importância do olho no olho na campanha. Foto: Angola Comunicação
Arte da nossa campanha SUSTENTA! falando justamente sobre a importância do olho no olho na campanha. Foto: Angola Comunicação

O que quero dizer é que as redes sociais seguem importantes, e isso tem feito parte das muitas conversas neste momento. Precisamos ocupar esse espaço com estratégia e uma linguagem acessível e simplificada que chegue a mais gente. E o conteúdo produzido pra as redes pode e deve ser distribuído em outros espaços, circular mais, especialmente pelo WhatsApp, que é onde muitas conversas já acontecem no dia a dia, nos grupos de família, da comunidade, do trabalho. Mas a conversa olho no olho continua sendo importante, porque é nela que dá pra escutar a dúvida, o cansaço, a desconfiança, e conversar a partir do que a pessoa vive. O conteúdo pensado para as redes pode ir para o papo presencial. Pra quem quiser levar isso pra dentro do trabalho, uma possibilidade é pensar com quem conversar primeiro, a partir de quem cada uma conhece, e aproveitar os espaços e encontros que já estão na agenda pra abrir essas possibilidades, com escuta antes de já trazer argumentos.


As pautas da extrema direita ameaçam direitos conquistados, como a atuação de muitas organizações sociais que fazem a defesa deles todos os dias nos territórios onde atuam. A abstenção e o desânimo também podem decidir uma eleição e, por isso, a gente acredita que conversar com quem está perto pode fazer diferença neste segundo turno.


Que a gente consiga virar o jogo pra garantir o fortalecimento da nossa democracia!


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.

 
 
 

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