O Brasil merece um futuro feliz

Por Catarina de Angola*
Eu já começo falando do futuro, porque quero que na próxima quarta, quando a gente se encontrar de novo aqui na Fuá, a gente tenha um resultado feliz para o Brasil. Que a democracia tenha vencido, que a extrema-direita tenha perdido e que a gente tenha eleito um presidente que vai, sim, ter muitos desafios pela frente, inclusive com o novo Congresso eleito, muito mais conservador do que nos últimos anos. Mas que a gente tenha a possibilidade de continuar aqui conversando. Que eu, uma mulher negra do Nordeste do Brasil, assim como todas que compõem aqui da nossa equipe, sigamos tendo a possibilidade de escrever sobre as questões que nos inquietam, que nos provocam e que acreditamos serem de interesse coletivo.
O texto desta semana foi muito pensado diante desse contexto. Poderia ser uma análise das estratégias de comunicação que temos visto nas campanhas eleitorais. Poderia trazer, de forma mais específica, pontos que nos fazem pensar esse outro momento do Brasil, pensar as questões comuns como a gente sempre fala aqui. Até porque ficou escancarado nesse momento eleitoral que a comunicação é importante para todo e qualquer processo de diálogo com a sociedade. Mas também está nítido que ela não pode ser lida sozinha. A comunicação precisa vir junto dos processos de decisão e de gestão pra conseguir, de fato, dialogar com as pessoas sobre quais são os nossos objetivos. É preciso que a comunicação seja prioridade, estar na centralidade, ter grana investida, ter gente trabalhando pra isso acontecer, ser pensada com menos urgência e mais estratégia. Tudo isso a gente sempre reafirmou, e conseguiu ver na prática a importância desses elementos de comunicação nesta campanha.

Arte da nossa campanha SUSTENTA! sobre esse momento de virada tão decisivo para o futuro do Brasil. Foto: Angola Comunicação.
A gente também poderia falar aqui da comunicação na perspectiva geopolítica, da interferência das big techs nas nossas eleições e nas nossas decisões, do uso dos nossos dados, da interferência na nossa própria liberdade de expressão, porque existem casos, imagens e vídeos que comprovam isso. Mas imagino que você que nos lê, que atua no campo social, numa comunicação de causas que tem como objetivo a justiça social e o fortalecimento da democracia, já esteja por dentro de tudo isso. Já deve estar em mil grupos de WhatsApp (Explode!!!), tentando virar voto no digital ou por aí na rua com cafezinho e bolinho, conversando com as trabalhadoras e os trabalhadores que encontra. Seja no Uber ou no salão, interagindo no grupo da família e o do condomínio. Isso além de todo o trabalho que você já faz diretamente com pessoas e públicos, em territórios diversos, porque é com eles que a sua organização atua.
Foi pensando nisso que, lá em agosto, a gente lançou a campanha Sustenta!, e no manifesto já reafirmamos que pra gente imparcialidade não existe e que quem fala que política não se discute perdeu a possibilidade de defender o projeto de país em que acredita. Porque se ainda tem muita coisa que não faz sentido no Brasil, é porque tem pouca gente discutindo política e muita gente entregando o cenário político pra que outras pessoas decidam. Com a Sustenta!, a gente reafirmou que a justiça social é uma pauta importante a ser discutida no projeto de país que tramita pelo Congresso Nacional.
Então, neste momento, desejo que a gente ainda tenha forças, nesse finalzinho de uma campanha eleitoral tão crucial para a nossa vida, pra continuar fazendo esse trabalho. Que no domingo a gente tenha a alegria de vibrar e de colocar pra fora toda essa angústia que aperta o nosso peito. E que, na semana que vem, a gente possa pensar uma comunicação de possibilidades, de lidar com o que vem pela frente, porque fácil não será, mas também não precisa ser tão violento como a extrema direita quer. Que seja sempre com diálogo, mas um diálogo que traga mais gente para o protagonismo da conversa, e nunca cerceando vozes.
Até semana que vem!
*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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