Não existe fórmula única pra falar de eleição
- Angola Comunicação

- 10 de ago.
- 3 min de leitura
por Catarina de Angola*
Semana passada estive no Encontro Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira, em Brasília (DF), numa mesa de diálogo sobre comunicação e eleições de 2026. E aqui compartilho algumas dessas reflexões nesta nossa série aqui na Fuá sobre comunicação e eleições.
O atual debate eleitoral acontece agora no Brasil, que é um país desigual e diverso, construído sobre massacre, opressão, sequestro e genocídio. Falar com o Recife não é a mesma coisa que falar com Roraima. Falar com Belém não é a mesma coisa que falar com o Marajó, mesmo sendo o mesmo estado do Pará. Falar com Santa Catarina não é falar com São Paulo. Por isso eu não acredito que exista um único modelo, um único formato de comunicação que possa ser simplesmente replicado. Não existe fórmula mágica de tocar corações e mentes. Precisamos refletir em cima de cada contexto, para ir encontrando formas, respostas…
E não podemos esquecer o contexto de concentração da comunicação, que infelizmente não mudou. Há vinte anos eu já debatia democratização da comunicação, olhando para o campo da radiodifusão. Entre 2007 e 2008, quando eu me formava como jornalista e a internet e as redes sociais começavam a se espalhar, eu acreditava que a gente estava democratizando a comunicação a partir do espaço digital, com espaço pra comentários, pra interação direta que “conquistávamos ali”. Hoje fica nítido pra mim que o projeto de concentração continuou, só mudaram os formatos e as ferramentas. Isso conecta comunicação, contexto eleitoral e contexto geopolítico das big techs, e eu não separo comunicação de política.

O que fazemos então, diante desse contexto tão complexo? Planejamento é essencial para responder a pergunta: quais meus objetivos? Isso porque eu acho que a gente não precisa tentar responder a tudo. Eu não vou conversar com todo mundo, nem vou conseguir espalhar ideia pra todo mundo. Mas posso estreitar os laços com quem já converso, prever de onde vai vir o ataque, definir a mensagem que quero passar. Isso vale pra dentro da internet e pra fora dela também, um aviso na missa pode ser mais eficiente do que várias mensagens soltas no Whatsapp. E mesmo sabendo que é um debate difícil, que em muitos territórios tem gente na linha de frente sendo ameaçada por isso, eu acho que a gente precisa lembrar do que nos motiva e nos alegra, porque poder ir às urnas e incidir politicamente é fruto de muita conquista.
E não fui a única refletindo sobre comunicação neste momento. Dividi a mesa desse debate com Leon Patrick de Souza, diretor da Casa Galileia, Adriã Galvão, comunicadora do povo Barê, e Verônica Pragana, da comunicação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com mediação de Hugo de Lima, da Cáritas Brasileira.
A própria Cáritas lançou, durante o encontro, a segunda edição da campanha Nosso Voto É Potente, que segue até outubro com formação política e articulação com movimentos sociais pelos territórios onde a rede atua. Aproveitei que estava em Brasília e prestigiei o lançamento da campanha Boto Fé no Voto, da CESE com o Coletivo Bereia e outras organizações de fé, pra fortalecer o voto consciente e enfrentar a desinformação dentro das comunidades religiosas. A ASA segue com a campanha Não Troque Seu Voto. E a Casa Galileia, em parceria com o Instituto Democracia em Xeque, está publicando o relatório quinzenal Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, acompanhando como as narrativas sobre religião e política circulam no ecossistema evangélico.
A gente, aqui na Angola Comunicação, também se posiciona nesse momento. Vamos lançar uma campanha de comunicação pra este ciclo eleitoral, pois sentimos que precisamos conversar com mais gente. Amanhã voltamos aqui com algo mais, porque a gente SUSTENTA nossas escolhas.
E quem quiser conversar mais com a gente é só chamar no email: contato@angolacomunicacao.com .

*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.




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