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Quando o pouco recurso vira um ciclo e afeta a comunicação

Foto do escritor: Angola Comunicação
Angola Comunicação
28 de set.
2 min de leitura

por Catarina de Angola*

Tem uma pergunta que a gente faz por aqui quando começa uma conversa sobre comunicação e captação com organizações sociais: se a sua organização perdesse hoje o seu principal financiador, qual seria a primeira ação de mobilização de recursos que vocês fariam? Muitas vezes o silêncio vem primeiro e diz muito, não por falta de compromisso das equipes, mas porque a maioria das organizações nunca teve tempo nem recurso para pensar nisso antes da necessidade chegar.


Nesses anos de atuação da Angola Comunicação, com organizações de diferentes tamanhos, causas e territórios, a gente foi percebendo que o pouco recurso vira um ciclo que se repete. Com pouco recurso, a organização monta uma equipe enxuta, a equipe enxuta fica presa no operacional e não consegue pensar estrategicamente, sem estratégia a comunicação não chega em novos apoiadores, e o orçamento segue pequeno.


Esse ciclo aparece no dia a dia de formas muito concretas. A comunicação entra no projeto com orçamento enxuto e acaba sendo a primeira a ser cortada quando o projeto volta com orientação de reduzir despesas. Quando ela está garantida no orçamento do projeto, existe enquanto o projeto acontece, e a organização passa a surgir e desaparecer no ritmo dos editais.  E a equipe, com o tempo que tem, registra o que aconteceu, a reunião, a oficina, o evento, enquanto o que a organização de fato transforma na vida das pessoas e dos territórios fica guardado nos relatórios técnicos.


Quando a comunicação está planejada e sendo executada estrategicamente ela impacta diretamente os processos de captação. Foto: Magnific
Quando a comunicação está planejada e sendo executada estrategicamente ela impacta diretamente os processos de captação. Foto: Magnific

O que a gente aprendeu é que quebrar esse ciclo pede uma decisão de gestão, mais do que um esforço extra de quem já está sobrecarregada. Significa colocar a comunicação no centro, nas conversas de planejamento desde o começo. Significa entender que a captação acontece também na relação construída ao longo do tempo, na newsletter que chega com regularidade, no relatório que conta o que mudou...  


E o mais importante, significa cuidar do básico. Uma apresentação institucional atualizada e uma síntese do que a organização é e do que ela de fato transforma dão a qualquer pessoa da equipe a possibilidade de falar sobre o trabalho de forma alinhada. Além de um lugar organizado para guardar histórias e evidências. Os processos de comunicação precisam ter continuidade.


Algumas edições atrás, falei aqui que ainda dá tempo de olhar para a comunicação antes de planejar 2027. E nossa agenda da Angola Comunicação está aberta para processos de diagnóstico, planejamento estratégico e consultoria em gestão da comunicação, pensados junto com as prioridades de captação de cada organização. Quem quiser conversar mais é só responder este e-mail ou chamar a gente.


*Catarina de Angola é mãe, jornalista e consultora em comunicação. Fundadora e diretora executiva da Angola Comunicação.

 
 
 

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